O Objetivo da Pastoral
da Juventude
"Evangelizar
os jovens da classe popular no meio em que eles vivem e atuam, anunciando a
Pessoa e o Projeto de Jesus Cristo Libertador com vista a uma prática
libertadora na igreja, na sociedade, na família e em todos os momentos de sua
vida."
"AI
DE MIM, SE EU NÃO EVANGELIZAR!" (1 Cor. 9,16)
"Evangelizar
constitui a tarefa e a vocação próprias da Igreja, sua identidade mais
profunda. Ela existe para evangelizar.”
A
evangelização verdadeira se dá sob três características fundamentais e
imprescindíveis:
*
O anúncio;
*
O testemunho de vida;
*
A denúncia.
"O
Evangelho é a boa nova que Jesus veio ao mundo anunciar." (Canto das
comunidades) Mas, qual a boa nova que Jesus veio ao mundo anunciar?
"O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele
me escolheu para anunciar as Boas - Notícias aos pobres e me mandou anunciar a
liberdade aos presos, dar vistas aos cegos, por em liberdade os que estão sendo
oprimidos, e anunciar o ano em que o Senhor vai salvar o seu Povo." (Lc 4. 18-19).
"ANUNCIAR
É PRECISO"
É preciso anunciar a PALAVRA DE DEUS, convida na
Bíblia e na tradição viva da Igreja. A Palavra de Deus deve ser a alma da
evangelização. Deve ser lida e interpretada dentro da fé viva e da própria vida
do povo. É preciso anunciar a VERDADE SOBRE JESUS CRISTO SALVADOR. Cristo, nossa
esperança, está no meio de nós, como enviado do Pai, animando com seu Espírito
a Igreja- Povo e oferecendo ao jovem de hoje sua palavra e sua vida para
levá-lo à libertação integral e a reconciliação com o Pai. Cristo é o
cumprimento de todas as promessas. A certeza de sua Ressurreição é a certeza do
Reino. A sua prática e sua vida cio luz e, ao mesmo tempo, instrumento
renovador do Espírito Humano.
É preciso anunciar a VERDADE SOBRE A IGREJA,
POVO DE DEUS. Igreja como vivência da comunhão profunda, assim como viveram os
primeiros cristãos. Igreja, também, como sinal e instrumento do Reino.
É preciso anunciar a VERDADE SOBRE O HOMEM; A
DIGNIDADE HUMANA. Dentre tantas distorções, é urgente anunciar a visão cristã
da Pessoa Humana. O resgate da dignidade humana só se alcança, verdadeiramente,
com a LIBERTAÇÃO INTEGRAL de cada homem e de cada mulher. A dignidade implica
em fazer respeitadas as necessidades físicas e subjetivas de todo ser humano.
"TESTEMUNHAR:
EIS O DESAFIO."
Dar
testemunho de vida ao Evangelho é o grande desafio e o complemento
indispensável do anúncio da palavra.
Dar testemunho de vida é, como Jesus, amar o
próximo comprometendo-se com a sua libertação. É fazer a opção pelo
empobrecido, abraçando sua causa. É amar a Deus, assumindo a concretização de
seu Reino de Amor.
Dar
testemunho de vida é, se preciso, doar a própria vida.
Ser testemunho do Deus da Vida exige de nós
abertura ao "outro" e a Deus. Implica em abrir nossos corações para
que o Espírito de Deus encha nossas almas e nos liberte integralmente. Implica
em por a confiança em Deus que dá força ao fatigado, confere energia ao
inválido. Até os Jovens se cansam, se fatigam, tropeçam e vacilam; mas,
"Os que esperam no Senhor renovam suas
forças, abrem asas como as águias, correm sem se cansar, andam sem se
fatigar." (Is 40, 29-31).
"DENUNCIAR,
PRA QUE A VIDA PREVALEÇA"
É necessário, no processo de evangelização,
denunciar todos os "sinais de morte". Denunciar os contra-valores do
Reino. Denunciar a fome, a opressão, a exploração dos
homens, o individualismo, os falsos valores do capitalismo, a. massificação do
ser humano, as prisões, os guetos, o sofrimento do povo, a ostentação dos
grandes... para que a vida prevaleça.
O
JOVEM EVANGELIZADOR DO PRÓPRIO JOVEM
O jovem é, ao mesmo tempo, sujeito e
destinatário da missão que realiza. De acordo com o Documento Vaticano II, os
jovens "devem converter-se nos primeiros e Imediatos apóstolos dos jovens,
exercendo o apostolado pastoral entre seus próprios companheiros, Levando em
conta o meio social em que vivem".
Evangelizar, partindo da condição dos jovens, e
anunciar, nos compromissos assumidos e na vida cotidiana, que o Deus da Vida
ama os jovens e quer para eles um futuro diferente, sem frustração nem
marginalizações, em que a vida plena seja fruto acessível a todos. Por isso,
somos testemunhas da esperança, comprometemo-nos a mudar as condições de vida
em nossa sociedade e procuramos "aprimorar a História". Esta é a
alegria que experimentamos e queremos compartilhar com outros jovens.
Neste sentido, uma autêntica pastoral da
juventude é PARA e COM os jovens. Com eles e partindo deles, evangeliza a
juventude em geral, a grande massa juvenil e a pessoa de cada jovem em particular.
Nenhum jovem deve ficar à margem da ação da Pastoral da Juventude.
O
MEIO POPULAR
POR QUE EXISTE O MEIO POPULAR?
A sociedade em que vivemos é dividida em
classes. As classes são as partes da população que diferenciam-se
entre si pelo lugar que ocupam numa determinada sociedade. Este lugar social
está diretamente relacionado com o poder econômico que as pessoas desta classe
detêm.
Na sociedade, existem aqueles que trabalham na
produção de bens ou serviços, os trabalhadores (por exemplo. o metalúrgico e o
bancário). Existem também aqueles que são donos dos meios de produção: os
empresários (por exemplo, o dono da metalúrgica e o dono do banco).
Os donos dos meios de produção vão se
enriquecendo cada vez mais, pois exploram a mão-de-obra dos trabalhadores. Este
tipo de relação de exploração vai gerando grandes contradições sociais. Por
exemplo: na construção civil são os trabalhadores que constroem os edifícios,
as casas, as escolas, os cinemas, os clubes... porém, a maioria absoluta deles
não usufrui desses bens. A maioria destes trabalhadores junta restos das
construções onde trabalham para fazer seus barracos nas favelas, lixões e
ocupações.
Com
isto formam-se as classes:
a)
A CLASSE DOMINANTE, formada por grandes empresários, latifundiários, etc.
b)
A CLASSE MÉDIA, formada por pequenos empresários, profissionais liberais
(advogados, médicos, etc. ), e outros.
c)
A CLASSE DOS TRABALHADORES, a mais numerosa, onde estão os trabalhadores e suas
famílias, os desempregados e os subempregados.
É
esta a classe que chamamos de CLASSE POPULAR.
O local de vida e atuação das pessoas da classe
popular, nós chamamos MEIO POPULAR. Por exemplo: conjuntos habitacionais,
periferias, favelas, lixões, ocupações (locais de vida); certas escolas, os
locais de trabalho, certas organizações populares (locais de atuação).
OS ROSTOS DO MEIO POPULAR
Os problemas enfrentados no meio popular são uma
realidade muito presente na América Latina. O documento de Puebla (31 a 41) nos
coloca as várias feições encontradas no meio popular, situação esta que nos
questiona e revolta. Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire na
vida real, feições concretas, nas quais deveríamos reconhecer as feições do
Cristo sofredor:
-
FEIÇÕES DE CRIANÇAS, golpeadas pela fome, ainda antes de nascer,
impedidas que estão de realizar-se, por causa de deficiências mentais e
corporais irreparáveis, que as acompanharão por toda a vida; crianças
abandonadas em nossas cidades, resultado da pobreza e da desorganização moral
da família.
-
FEIÇÕES DE INDÍGENAS e, com freqüência, também de AFRO-AMERICANOS, que vivendo segregados
e em situações desumanas, podem ser considerados como os mais pobres entre os
pobres.
-
FEIÇÕES DE CAMPONESES, que como grupo social, vivem relegados em
quase todo o nosso continente, sem terra, em situação de dependência,
submetidos à exploração e à violência.
-
FEIÇÕES DE OPERÁRIOS, que com freqüência mal remunerados e em
dificuldades de se organizarem e defenderem. os próprios direitos.
-
FEIÇÕES DE SUBEMPREGADOS E DESEMPREGADOS despedidos pelas duras
exigências das crises econômicas e muitas vezes pelos modelos
desenvolvimentistas que submetem os trabalhadores e suas famílias a frios
cálculos econômicos.
-
FEIÇÕES DE MARGINALIZADOS E AMONTOADOS DE NOSSAS CIDADES; sofrem o duro impacto
da carência dos bens materiais e da ostentação da riqueza de outros setores
sociais.
-
FEIÇÕES DE ANCIÃOS, cada dia mais numerosos, freqüentemente postos
à margem da sociedade, do progresso, que prescinde das pessoas que não
produzem.
-
FEIÇÕES DE JOVENS, desorientados por não encontrarem seu lugar na
sociedade, frustrados, sobretudo nas zonas rurais e urbanas marginalizadas, por
falta de oportunidades de capacitação e ocupação.
O JOVEM DO MEIO POPULAR
Os jovens do meio popular são a maioria do
continente e são as maiores vítimas desta estrutura social injusta. São jovens
que vivem mais perto da pobreza e de tudo o que ela implica. Recebem baixos
salários e, pela falta de oportunidades, vêem-se obrigados a trabalhar, muitas
vezes, em subempregos, para aumentar a renda familiar.
Com as responsabilidades que assumem,
transformam-se em "adultos prematuros" e têm, assim, impossibilitadas
suas aspirações de formação e de melhoria de vida. O alto índice de evasão
escolar está relacionado ao ingresso precoce no mundo do trabalho e a
impossibilidade financeira.
São milhares de jovens entregues ao alcoolismo,
às drogas, à delinqüência, à prostituição e à várias
formas de marginalização. Existem no meio juvenil popular grandes
possibilidades de educação popular e libertária, que parta de sua própria
realidade. Neste processo de educação popular é necessário despertar a
consciência crítica, a consciência de classe, visando criar entre os jovens UMA
IDENTIDADE, como jovens do meio popular.
Com o despertar desta identidade vem surgindo
uma "novidade" que começa na periferia e que será capaz de
transformar a sociedade individualista e excludente dos meios urbanos. Como
setor, a juventude do meio popular, cresce e insiste para entrar na vida
social.
A
PESSOA E O PROJETO DE CRISTO
ALGUNS TRAÇOS DA PESSOA DE JESUS
A experiência do encontro com Jesus, com seu
estilo de vida, com sua pessoa, permite reproduzir novas formas de vivência e
prática. O exemplo de vida de Jesus permite reinterpretar a Igreja, partindo da
"prática" dos pobres, como propunham os bispos de Medellín e Puebla.
Isto significa hoje algo de muito concreto: ir à periferia, ir a base, ir aonde
não há poder, porque "pobre" significa "sem poder", Jesus
nasceu numa família pobre. Morava no campo. Tornou-se carpinteiro. Prestava
serviços em troca de moeda ou alimentos para sua subsistência. Ele escolheu
seus discípulos entre os humildes e marginalizados. Eram homens da gente
sofrida de seu pais. Jesus era um homem do povo. Um
povo analfabeto e desprezado. Participava das festas (Lc.
2,41:Jo 5,1). Foi ao casamento de amigos (Jo 2,1-2). Estava sempre cercado pela multidão (Mc 3,8; Lc 21,38; Mc 6,31).
Ele fez uma opção pelos excluídos. Passou toda
sua vida entre considerados impuros: crianças, mulheres, doentes, samaritanos,
cobradores de impostos, prostitutas, ladrões e outros.
Jesus
era um homem aberto, compreensível, acolhedor... e condenava todo o tipo de
discriminação.
Ele era um homem intimamente liberto, autêntico,
transparente e extremamente coerente com seu próprio discurso.
O Evangelho demonstra que não eram os discursos
de Jesus o que mais impressionava e, sim, sua coerência e seu testemunho de
vida.
"Verdadeiramente este homem é justo" (Lc 23,47) Jesus propôs o "novo" em oposição às
estruturas sociais o políticas de seu tempo. Isto gerou repulsa, rejeição,
criou o conflito. E Jesus, coerentemente, enfrentou as diversas instâncias de
poder do seu tempo. Conheceu a difamação, a crítica, a perseguição e a ameaça
de morte. Sua prisão, tortura, condenação e crucificação foram conseqüências de
sua prática e de sua vida.
Jesus é um homem de ligação íntima com o Pai.
Toda sua vida é constante louvor e referência ao Pai. Ele buscava a vontade do
Pai como "alimento". Esta união e abertura ao Pai é a condição para
viver uma vida nova "em Deus".
Jesus era um homem de muita alegria. Tinha
amigos. Apresentava palavras de consolo e de esperança para todos (cf. Lc 12,22-26). Nunca perdia o ânimo frente as provações e dificuldades. Admirava a natureza. Andava
muito. Pescava com os discípulos. Apreciava a ternura das crianças e sabia ver
o bom que existia no coração das pessoas (cf. Mc
10,21).
Ele era, também, um homem do perdão. Perdoou a
muitos, como Zaqueu (Lc 19.1-10) e Madalena (Jo 8,3-11) e disse aos discípulos que perdoassem quantas
vezes fosse necessário.
O
PROJETO DE JESUS
O projeto de Jesus possui dois pontos
importantes a se refletir: a "libertação dos oprimidos" (cf. Lc 4,18) e o "reino", "a chegada de tempos
novos" (cf. Lc 4,19).
Este projeto se resume em levar os homens a uma
libertação integral, pessoal e social, através da construção do Reino de Deus,
que passa necessariamente pela construção de uma sociedade igualitária e
fraterna onde não haja explorados nem exploradores.
O Reino de Deus é o dom: Deus dá a sua presença,
sua solidariedade, sua justiça, seu amor. Mas, a sua instauração exige o
esforço do homem.
Para fazer parte do Reino é necessário
a conversão do coração (cf. Mc 1,15), é preciso
nascer de novo (cf. Jo 3,3-21), é preciso recebê-lo
com o coração de criança (cf. Mc 10,15). Para fazer
parte dos "tempos novos" e preciso amar profundamente a Deus e aos
irmãos (cf. Mc 12,28-34). O amor profundo é aquele
que implica em compromisso com o ser amado.
A
CONTRIBUIÇÃO DA PJMP PARA A TRANSFORMAÇÃO DA IGREJA, DA SOCIEDADE E DO HOMEM
A Pastoral da Juventude do Meio Popular deve
proporcionar aos jovens empobrecidos serem agentes de transformação no atual
momento histórico, sempre na fidelidade à prática libertadora de Jesus Cristo.
Contribuir para a transformação da Igreja na
medida em que se propõe a questionar o modelo de Igreja e ao mesmo tempo,
apresentar a vivência de um modelo comprometido com os empobrecidos.
Neste sentido a Pastoral da Juventude do Meio
Popular recusa a "Igreja hierarquia", a Igreja que quer calar os
profetas, a Igreja que se omite ante aos clamores do Povo de Deus que sofre, a
mesma Igreja que foi cúmplice do massacre dos povos da América Latina.
Mas, ao mesmo tempo que
recusa esta Igreja, a PJMP acredita na Igreja que se renova através da
"OPÇÃO PELOS POBRES". Acredita nas Comunidades Eclesiais de Base,
alicerce para a construção da nova Igreja e do Reino. Acredita na Igreja que
vive e sofre solidária com a dor da opressão dos pobres e mais humildes do
nosso continente. Por isso, como Jesus, comprometida com seu povo e com o
evangelho de Deus.
A PJMP acredita na Igreja que vive em comunhão
como povo de Deus e sente-se interpelada e questionada pelos desejos de
participação dos jovens. A PJMP quer ajudar a construir a Igreja como: "Um
exemplo de modo de convivência, onde consigam unir-se a liberdade e a
solidariedade, onde a autoridade se exerça com o espírito do Bom Pastor, onde
se viva uma atitude diferente diante da riqueza, onde se ensaiem formas de
organização e estruturas de participação, capazes de abrir caminho para um tipo
mais humano de sociedade e, sobretudo, onde inequivocamente se manifeste que,
sem radical comunhão com Deus em Jesus Cristo, qualquer outra forma de comunhão
puramente humana acaba tornando-se incapaz de sustentar-se e termina fatalmente
voltando-se contra o próprio homem". (DP 873).
Acredita
na Igreja, Povo de Deus, que é a expressão de uma experiência comunitária de
viver a fé.
Levar os jovens empobrecidos a terem uma fé
encarnada na vida. E a assumirem uma prática libertadora nos organismos de
mudança da sociedade, pessoal e comunitariamente, atuando como sal, luz e
fermento no seu próprio meio, consciente de que a transformação acontece pela
união das forças e organização dos empobrecidos.
"Acredito em um Deus que tem um amor muito
forte para os seus filhos, que está triste de ver quantos de seus filhos estão
sofrendo. Esse Deus fez questão de se tornar carne por meio de Jesus Cristo que
anunciou um projeto de vida. Eu me identifico com este projeto". Esta é a
profissão de fé de um jovem do meio rural.
Todos
os cristãos são chamados a entrar neste projeto de Jesus que é a construção do
Reino.
"Em
primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6,33) Mas, onde
está o Reino?
"O Reino de Deus está no meto de
vocês" (Lc 17,21). Ele está no nosso meio na
medida em que a gente vai construindo o mundo que Deus quer: mundo de justiça,
de igualdade, de participação, sem opressores, nem oprimidos.
O
que não se pode é confundir a realização de uma sociedade nova com a
concretização do Reino.
"Se o Reino de Deus passa por realizações
históricas, não se esgota nem se identifica com elas" (Documento de Puebla
193). A nova sociedade nunca é perfeita. É uma busca contínua. É a mistura do
joio e do trigo. O Reino de Deus não chegou porque a oposição sindical ganhou
ou porque o meu partido ganhou as eleições. O Reino e a Nova Sociedade não se
confundem, mas um tem muito a ver com o outro, pois a Nova Sociedade é uma
realização parcial do Reino, um estágio incompleto.
A PJMP contribui para a construção da Nova
Sociedade, à medida que, a partir do projeto de Cristo, busca despertar nos
jovens do meio popular a consciência de classe, a identidade como setor especifico
e marginalizado da sociedade, incentivando-os a terem um engajamento em
mecanismos de transformação (associações de bairro, grêmios estudantis livres,
sindicatos, partidos políticos comprometidos com as causas populares,
movimentos culturais, ecológicos, etc. ),
proporcionando assim o fortalecimento do poder popular.
"Felizes os que têm sede e fome de justiça.
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do
céu". (Mt 5,3-21).
A PJMP quer contribuir com a afirmação de novos
valores. Diante da construção de uma sociedade de amor e liberdade dizer:
Por isso, é preciso rejeitar tudo o que oprime o
homem e, assim, dizer: NÃO À EXPLORAÇÃO, NÃO À INJUSTIÇA, NÃO AO EGOÍSMO, NÃO À
VIOLÊNCIA em todas as suas modalidades,...
No processo de construção da Nova Sociedade,
qualquer modelo de desenvolvimento, qualquer projeto histórico de sociedade
desejado, tem que levar em conta:
"O homem
não foi feito para o sábado, mas o sábado para o homem" (Mc 2, 27).
"Tudo o
que fizerdes a um de meus irmãos, por mais insignificante que pareça, a mim o
fareis" (Mt 25, 40).
A PJMP quer contribuir para a construção de um
Novo Homem e uma Nova Mulher. Jesus revelou ao homem o mistério de seu próprio
ser: o homem é filho de Deus e participa da vida divina pela ação do Espírito
Santo. E, nesta vida de Deus, todos os homens descobrem a verdadeira
fraternidade, pois todos são filhos do mesmo Pai.
Esta visão Cristã impregna de espírito a
encaminha para a sua realização final um sonho, uma utopia, do homem e da
sociedade, sonho que anima os homens a se moverem em busca de sua própria
transformação e renovarem a sociedade em seus fundamentos.
O
Homem Novo que assim é gerado apresenta-se como:
* LIVRE: Que conserva a sua
identidade, sua individualidade. Que é intimamente livre, capaz de se
desprender das amarras do individualismo, capaz de criar, junto com outros, as
formas mais adequadas de vida, de trabalho, de ser cristão... Esforça-se por
ser livre de si mesmo, a fim de estar mais livre e disponível para os outros,
disposto a doar-se.
* SOLIDÁRIO: Como o bom samaritano,
ele se inclina sobre os que caíram a fim de levantar-se com eles; não há luta
por libertação que não seja também sua luta, atento como se acha às mais
diversas formas de apoio até assumir todas as suas conseqüências, por mais
pesadas e difíceis que sejam.
* COMUNITÁRIO. Aberto à comunicação e
à convivência, cria vínculos de reciprocidade e de participação através de
inúmeras relações comunitárias que permitem a plena realização pessoal de todos
e de cada um, evitando a massificação do ser humano, que não deixa a pessoa
ser, nem se expressar com espontaneidade e riqueza espiritual.
* DE NOVAS RELAÇÕES: Que respeita o outro;
que rejeita os preconceitos. O novo namorado e a nova namorada, os novos marido
e mulher, os novos filho e filha capazes de amarem-se verdadeiramente,
livrando-se do sentimento de posse, da dominação, da reprodução dos falsos
valores da sociedade.
* PROFÉTICO: Com lucidez critica,
denuncia tudo que cria opressão, enxerga os interesses que se ocultam por trás
dos projetos dos grupos dominantes, anuncia com sua palavra e sua vida o ideal
de uma sociedade de irmãos e de iguais.
* CONTEMPLATIVO: Apesar da luta, não
perde o sentido da gratuidade, do valor próprio de cada dimensão humana, como o
amor, a festa, a celebração, a afetividade e a sexualidade. Como Jesus, sabe
recolher-se para rezar com o coração aberto, contemplar a presença de Deus na
natureza e na História dos homens, especialmente na luta e na caminhada dos
mais humildes. Ele aprecia a ternura das crianças, a coragem do militante.
* UTÓPICO: Não descansa com os
sucessos; não desanima com os fracassos, traduz o Reino de Deus em esperanças
históricas no âmbito pessoal e social, esperanças de saúde, de trabalho, de
cultura... A pequena utopia de que todos comam pelo menos uma vez ao dia; a
grande. utopia de urna sociedade sem exploração e
organizada com a participação de todos; e, finalmente, a utopia absoluta de
comunhão com Deus, vivem no coração de quem se compromete com a libertação
integral.
ATITUDES
FUNDAMENTAIS PARA O COMPROMETIMENTO COM A TRANSFORMAÇÃO
Para contribuir com a transformação da Igreja,
da sociedade e do homem, é preciso descobrir e adotar algumas atitudes
fundamentais. Jesus apresenta várias atitudes que poderão animar e dar sentido
à vida do militante:
“Que
a luz de vocês brilhe (...) para que os homens louvem ao Pai” (Mt 5,16)
“Dizei
somente sim, se é sim; não, se é não...” (Mt 5,37)
“Não
ajuntem riquezas” (Mt 5, 19)
“...Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a
outra " (Mt 5,39)
"Amai
vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e
perseguem” (Mt 5,44) etc. ...
Bibliografia :
01
- HISTÓRIA DA PJ NO BRASIL, IPJ-RS
02
- MÍSTICA DA CAMINHADA, Estudos da PJ n.º 3
03 - PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR - PRESENÇA NA
LUTA DO POVO. Regional Sul II - subsídio 2
04
- PASTORAL DA JUVENTUDE NO BRASIL, Estudos da CNBB - Doc. 44
05
- PASTORAL DA JUVENTUDE, SIM À CIVILIZAÇÃO DO AMOR, CELAM
06
- PJMP: UM RELATO HISTÓRICO EM QUASE DEZ ANOS, Doc. PJMP Nacional
07
- PJMP: SEMENTE DO NOVO NA LUTA DO N0VO, Doc. PJMP Nacional
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