A PJMP no Brasil

 

INTRODUÇÃO

 

Há cerca de 32 milhões de jovens no Brasil: 25% da população na faixa de 15 a 24 anos. Em 1960, o número de jovens na América Latina era de 38 milhões e meio, em 1980, 73 milhões e 300 mil; de modo que, nestes 20 anos, a população jovem dobrou.

 

O papel que o jovem desempenha hoje será a garantia do papel que, como adulto, desempenhará amanha. Os jovens se encontram na etapa em que se fazem grandes opções, que decidem o futuro de sua vida. Através da Pastoral da Juventude, a Igreja "apoiará os jovens, principalmente de bases populares, a tomarem consciência de que são marginalizados por estruturas sociais desagregadoras...

 

Os documentos de Medellín e Puebla apontam os jovens como agentes importantes na transformação da sociedade e renovação da Igreja, porque nossas vidas moldam a face do mundo de hoje e de amanhã.

 

A nossa sensibilidade aguda diante de tudo o que é a negação da liberdade faz parte de uma convicção mais ampla de nosso tempo:

 

“A consciência da liberdade e da dignidade do homem, conjugada com a afirmação dos direitos inalienáveis da pessoa e dos povos, é uma das características predominantes do nosso tempo. Ora, a liberdade exige condições de ordem econômica, social, política e cultural que tornem possível o seu pleno exercício. A viva percepção dos obstáculos que a impedem de se desenvolver e ofendem a dignidade humana encontra-se na origem das fortes aspirações à libertação que hoje fermentam em nosso mundo" ( Instrução Sobre a Liberdade Cristã e a Libertação ).

 

HISTÓRIA

 

Para conhecermos a história da Pastoral da Juventude é necessário fazermos um levantamento dos movimentos anteriores que lhe deram origem. Dentre estes, os mais importantes foram os da Ação Católica. No período de 1930 a 1940, notamos uma presença significativa da Igreja no meio da juventude, sob o signo da Ação Católica. Até então, sobressaiam-se as Congregações Marianas, as Associações Cristãs de Moças, Filhos de Maria, Legionários de Maria, etc.

 

A Ação Católica marcou a Igreja em todo o mundo por quatro décadas, de 1930 a fins de 1960. Originalmente como forma de aglutinar os leigos católicos, para campanhas contra o materialismo consumista do capitalismo, contra o materialismo ateu do comunismo e contra os totalitarismos de direita (Nazismo, Fascismo) aos poucos transformou-se no grande veículo de participação dos leigos na vida intra-eclesial ( dentro da Igreja ).

 

A história da Ação Católica pode ser dividida em dois grandes períodos:

* Ação Católica Geral ; e

* Ação Católica Especializada.

 

AÇÃO CATÓLICA GERAL

 

A Ação Católica Geral, tem inicio com o movimento Juventude Feminina Católica ( JFC ), em 1932. A partir da experiência da JFC, articulam-se a Juventude Católica Brasileira (para rapazes), os Homens da Ação Católica ( HAC ) e a Liga Feminina da Ação Católica ( LFAC ) que agrupados e regidos por um estatuto, aprovado em 1935, formavam a Ação Católica Brasileira (ACB).

 

Este primeiro momento vai até o início dos anos 50, caracterizado por seu aspecto apostólico / missionário dando aprofundamento à dimensão social da fé.

 

AÇÃO CATÓLICA ESPECIALIZADA

 

A partir de 1950, começa a fase de especialização do movimento que, anteriormente baseado na distinção do sexo e idade, passa a assumir outro padrão, tendo como referencial o espaço de atuação. Como conseqüência deste processo surgem os movimentos intitulados:

* Juventude Agrária Católica ( JAC );

* Juventude Estudantil Católica ( JEC );

* Juventude Independente Católica ( JIC );

* Juventude Operária Católica ( JOC );

* Juventude Universitária Católica ( JUC ).

 

Nesse momento, que vai até o fim dos anos 60, a Ação Católica Especializada e especialmente a JOC, JEC e JUC vivem a influência muito grande das idéias do Cônego José Cardijn e do filósofo Jacques Harítain Cardijn desenvolveu, a partir da sua experiência com a JOC da Bélgica, o método VER-JULGAR-AGIR. Jacques Maritain, investigando a "ação do cristão ao longo do tempo", elaborou o conceito de "Ideal Histórico Concreto" que mostrava a possibilidade da concretização do Reino de Deus na História. A gradual politização dos movimentos da Ação Católica provoca, mais acentuadamente em 1964 e 1969, a ação direta das forças de repressão no esforço de desarticulação e esfacelamento destes.

 

Atribui-se a Ação Católica, e em especial e JUC, a experiência histórica que criou as bases para o desenvolvimento teórico da Teologia da Libertação, da Opção Preferencial pelos Pobres e da concepção da Igreja como "povo organizado a caminho da libertação” (Obs.: A JOC sobrevive até hoje.)

 

OS MOVIMENTOS DE ENCONTRO

 

A desarticulação dos movimentos da Ação Católica provocou um recuo significativo na trajetória da PJ. No período que vai de 1969 a 1974, nasceram e difundiram-se com grande rapidez inúmeros movimentos de jovens. Estes movimentos, baseados nos Cursilhos de Cristandade, usavam uma metodologia de impacto emocional, colocavam como a raiz dos problemas sociais: o egoísmo pessoal e não despertavam no jovem uma consciência critica diante do problema social. Estes aconteceram numa época de fechamento político. Foi o único tipo de Pastoral da Juventude possível frente à conjuntura política da época.

 

A PASTORAL DA JUVENTUDE ORGÂNICA

 

A partir da segunda metade da década de 70, a PJ passa a ser o novo instrumento teórico em substituição aos movimentos de encontro de cunho nacional e local. Esta Pastoral surge a partir da necessidade sentida pela coordenação dos grupos paroquiais que começam a se organizar por Diocese, Regional e a nível Nacional, tendo em vista os desafios que a juventude apresenta para a Pastoral da Igreja.

 

A PASTORAL DA JUVENTUDE POR MEIOS ESPECÍFICOS

 

Uma questão que perpassou e perpassa a caminhada da juventude da Igreja no Brasil é a questão da organização dos jovens por meios específicos. Se no tempo da Ação Católica esta questão foi, por assim dizer, imposta por decisões vindas de fora, na Pastoral da Juventude do Brasil, foi uma questão descoberta aos poucos, com base na troca de experiências e na discussão sobre o melhor da juventude tornar-se uma força transformadora e iria pastoral que levasse realmente ao engajamento. Foram surgindo, por isso, aos poucos, as diferentes pastorais especificas de juventude. Embora levadas por perspectivas um tanto diferentes, as duas primeiras que se firmaram foi a PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR (no Nordeste) e a PASTORAL UNIVERSITÁRIA. Levadas por este processo de reflexão e organização, surgiram depois a PASTORAL DA JUVENTUDE ESTUDANTIL e a PASTORAL DA JUVENTUDE RURAL.

 

 

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